Partners: como as ciências naturais caminham para as humanidades

Hoje recebi um email muito animador me convidando a participar da rede "Partners" , do inglês: People and reforestation in the tropics: a network for education, research and synthesis. Como pesquisador gostei do que vi, um monte de gente de primeira qualidade entre ecólogos, sociólogos, economistas, geógrafos e antropólogos participando de uma proposta de trabalho em rede que visa "entender a complexidade de processos socioecológicos que determinam a recuperação de florestas" (tradução livre). A maioria dos pesquisadores é "gringo", afinal o projeto é financiado pela National Science Foundation através do programa de nome bonito chamado Dinâmica de Sistemas Integrados Natural e Humano (tradução livre de Dynamics pf Coupled Natural and Human Systems). Eu não tenho esse lance xenofóbico de achar que estrangeiros do norte não podem pensar com propriedade sobre os trópicos. Que diríamos a Levy-Strauss? No entano, pouca represetnatividade de brasileiros e latinos em geral na iniciativa é notória e nos leva a pensar porque a agenda socioecológica ainda não "pegou" no Brasil.

Não é de se estranhar que iniciativas interessantes como esta surgem em países como os EUA, onde os interesses científicos são tão amplos quanto a massa crítica de cientistas que habita esse território, de todas as áreas. Com respeito à ecologia, as melhores escolas que temos, com pesquisadores e cenários mais produtivos são justamente aquelas que mantiveram e/ou mantém parcerias ativas com uma ampla rede mundial de pesquisadores. Na Amazônia, os tempos áureos do INPA (Intituto de Pesquisas Amazônicas) se deram justametne quando um mega-projeto para estudo da dinâmica de paisagens fragmentadas estava a pleno vapor, com dinheiro e cérebros gringos. Não seria tolo em desmerecer meus patrícios como grande articuldores e criadores de idéias durante esse período, mas é fato que quando os cérebros e dólares se foram, as ideias def fronteira escassearam. À época, o quente era entender padrões de organização biológica. Encontraram, descreveram, publicaram e se foram. Ficamos sabendo de tudo que acontecia com borboletas, formigas, plantas, mamíferos, aves e qualquer coisa viva na paisagem de floresta fragmentada. Mas faltava um componente.

A idéias do Partners é realizar abordagens interdisciplinárias dos fatores que determinam a persistência e recuperação de florestas em paisagens tropicais dominadas por atividades humanas. Há anos esse é um tema que me interessa, apesar de somente agora ter começado a produzir nessa áreas como pesquisador. John Vadermeer (Unversidade de Michigan) escreveu um livro interessante ainda que um pouco ingênuo politicamente que aborda a "matriz da natureza", ou seja, o autor coloca em perspectiva as abordagens ao problemas da natureza dentro de um abiente humano. A matriz da natureza é humana, por primeira vez na história da terra. Há cerca de uma década as grandes ONGs ambientalista fizeram esse movimento. Os programas de conservação liderados por WWF, Conservation International, entre outras, que não queriam saber de gente em seus projetos, agora trabalham na perspectiva de que só existe conservação se houver condições de vida dignas para a população humana.

A academia, no entanto, é sempre a última em se mover. Abordagens multidisciplinares são ainda vistas com muito preconceito pela comundade científica. A própria biologia da conservação, nascida da junção de disciplinas, tardou muito em integrar conceitos e ferramentas das humanidades na resolução de problemas ambientais. Essa reticência só pode ser interpretada como preconceito e medo de perder a "dureza" das ciências naturais com a adoção de interpretações e métodos dos estudos sociológicos, antropológicos, etc. Bem-vinda portanto, a iniciativa Partners! Cientistas da consistência e envergadura dos que compõem a iniciativa podem realmente mudar o panorama das ciências naturais e elevar o estatus da socioecologia.

#política #restauração

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