Ecologia da dieta humana

A revista Nature publicou nesta semana uma matéria sobre um artigo que saiu no PNAS sobre como nossa dieta modifica a posição do Homo sapiens na cadiea trófica global e quais as causas e consequências de subir na cadeia trófica, entenda-se, adquirir mais energia de fontes animais.

Causas

Há pelo menos dois determinantes principais da dieta humana, um ecológico e outro econômico. O determinante ecológico se confunde com o cultural. Povos como os esquimós e mongóis comem muito mais carne que a média mundial. São culturas que evoluiram num ambiente pouco propício ao cultivo de vegetais e portanto sua dieta baseia-se na caça e domesticação de animais de grande porte. Países pobres como a Mauritânia também figuram entre os que mais consomem carne per capita, afinal, pouco pode-se fazer em pleno Saara além de criar caprinos de onde se tira leite, queijo, iogurte, coalhadas e carne. Nesta condição, cultura alimentar é a resultante de limitações ecológicas. Nesses países o consumo de carne é tão alto que a elevação da renda (fator que aumetna o consumo de carne em outras circunstâncias) reduz o conusmo de carne por propiciar diversificação de alimentação via acesso a produtos agrícolas importados. No entanto, há o caso dos países que consomem muita carne basicamente por questões econômicas. É o caso da mioria dos países da América, Europa e Ásia, berços da domesticação de pantas e animais, as culturas destas regiões já nasceram com dieta diversificada, mas a energia de fonte animal aumenta na proporção que a renda sobe. Nesse caso, determinantes econômicos são o principal vetor.

Consequências

Os autores fazem um exercício magistral de ecologia humana ao demonstrar que o índice trófico é uma importante ferramente para medir nosso impacto na Terra. COmo sabemos, a energia de origem animal é mais cara à natureza pois impões uma taxe de conversão que não é barata. No caso de peixes, 3:1, e aves 6:1 e entre mamíferos em torno de 10:1. Isso significa que alimentar a humanidade com mais carne aumenta nossa conta junto à natureza. Num dos gráfico do artigo, os autores comparam o índice trófico da humanidade como um todo por 50 anos, mostrando que nosso nível trófico sobe desde a décad de 60, somando-se a isso a população que dobrou neste período. Ou seja, mesmo sem comer mais carne, teríamos um problemão só pelo aumento da população mundial. Agora, se acrescentamos a China e Índia, aí temos um problema enrome. Juntos esses países respondem por quase um terço da população mundial vê-se claramente que são os responsáveis pelo aumento do nível trófico médio da humanidade.

O estudo é de uma elegância invejável e correlaciona fatores importantes como o aumento no consumo de carne. Além da renda, que funciona perfeitamete para explicar o padrão global com exceção daquele grupo de países mencionado acima como a Maritânia, Islândia e Mogólia, há um forte correlação entre o consumo de carne e emissões de carbono e porcetagem de urbanização da população. Ou seja, somos mais, morando em cidades, emitindo mais carbono e comendo mais carne. E ainda, vivendo mais tempo.

Em resumo

A dieta mais carnívora, tem aumentado consistentemente naqueles países que conseguem manter atendida essa demanda da população e dá sinais de que decresce em países de alto consumo, geralmente por motivos de saúde (nos casos dos ricos) ou por urbanização e diversificação no caso daqueles pobres. O fato é que a humanidade deve estabilizar o consumo de carne num nível mais acima do que temos hoje, garantindo ainda algumas décadas de pressão sobre os ecossistemas naturais para suprir essa demanda. Estamos ainda em plena escalada na cadeia trófica e aumentando em número e a ecologia de ecossistemas nos diz que ser carnívoro é a maneira mais cara de se viver na natureza. Cada bife é igual a menos biodiversidade e mais aquecimento global. QUestões éticas ainda complicam o panorama, pois o incremento ne carne na dieta global se deve à inclusão de uma tremenda massa de pessoas que não tinham acesso a essa fonte energética de alta qualidade e que per capita ainda consomem menos que a média global, no entanto são muitos chineses e indianos.

O fato é que a ecologia humana ganha conotações geopolíticas ainda mais fortes diante da constatação de nosso impacto global e apressa a necessidade de ter real noção da magnitude de nossa pegada ecológica.

#conservação #política #dieta

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