Enquanto queima a biblioteca, contamos os livros

​Enquanto a diversidade biológica se esvai, seguimos contando espécies nos ecossistemas alterados e alertando as autoridades para seu desaparecimento iminente. David Lindenmayer nos oferece uma perpectiva autraliana acerca da inação da sociedade frente ao sexto e mais intenso pulso de extinção massiva que a Terra já experimentou. O problema é relativamente simples. Somente cinco dos 122 planos de ação gerados na Austrália para suas 191 espécies ameaçados de extinção contam com alguma análise e/ou recomendação direta acerca dos fatores responsáveis pelo declínio populacional das espécie em questão. Ou seja, se quase 70% das espécies oficialmente ameaçadas de extinção da Austrália contam com planos de recuperação, somente cerca de 3% desses planos contém informação relevante para o manejo do hábitat onde ocorre a espécies e pode de fato informar a sociedade sobre as ameaças reais e o que fazer com relação a elas. As análises vão além da Austrália e abarcam todo o globo. Espécies monitoradas até a extinção

Entre 34 casos de espécies monitoradas até a sua extinção, em 14 casos a causa de extinção era smplesmente desconhecida. Nos demais casos, a extinção foi sendo pouco a pouco confirmada, e cada ano menos indivíduos apareciam nas contagens até que puff a esécies desapareceu. Temos um caso emblemático destes no Brasil, o da ararinha-azul (Cyanopsita spixii) cuja novela de extinção pode ser acompanhada por todo o mundo até que o último indivíduo selvagem desapareceu em meio a um mega-programa de reintodução e monitoramennto.

A importância do monitoramento

A maioria dos planos de monitoramento de espécies são simplesmente mal-desenhados e falham. Falham porque ainda não se sabe bem as causas do declínio populacional ou não se propõe açoes reais de manejo adaptativo. Apesar da prática do manejo contar com uma extensa literatura, pouco sucesso prático tem sido encontrado e simplesmente porque pouco se implementaou no mundo de manejo adaptativo e quando feito, via de regra traz os mesmo problemas citados anteriormente para o monitoramento.

Sugestões

Os autores sugerem pelo menos cinco grandes recomendações para tentar resolver o probelma, aqui comento apenas 3 que me pareceram mais interessantes:

1) Definir e articular os objetivos do monitoramento - Parece simples, coisa de criança, mas não é. Programas de monitoramento devem conter metas específicas articuladas entre setores interessados, tanto beneficiários quanto afetados. Isso ajuda a conduzir os planos de manejo.

2) Explicitar fatores causadores do declínio populacional de espécies - Saber o que causa extinção é importante, é crucial. Isso ajuda a intervir imediatamente no manejo e na causa principal. Mesmo coisas pontuais podem ser feitas ainda que não se tenha clara a causa de extinção. Não podemos por exemplo esperar até saber se exóticas invasoras vão esculhambar com Fernando de Noronha, temos que agir já.

3) Mecanismos de auto-aprendizado - Precisamos que os programas de monitoramento sejam publicados, que seus resultados sejam comentados e que os erros e acertos sejam compartilhados. Simples assim, mas não o é porque a maioria dos monitoramentos é feita por governos que não possuem tradição de publicação de suas ações, sobretudo se falham. Precisamos saber o que falhou com a ararinha-azul e não cometar mais esses erros, por exemplo.

Enquanto a biblioteca arde em chamas, seguimos contando e catalogando os livros na esperança que o conhecimento nos redima.

aqui o artigo: http://www.esajournals.org/doi/pdf/10.1890/120220

#conservação #política #extinção #monitoramento

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