Porque precisamos das hidroelétricas da Amazônia

Por Felipe Melo

Represar um rio como o Xingú ou o Tapajós deveria dar passaporte direto para o inferno. É uma heresia.

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Mas, de quem é a culpa? Vejamos... O plano Nacional de Energia 2030 é o documento que guia a expansão de oferta da energia para o Brasil. Foi feito durante o segundo governo de Lula (2007). Nesse documento feito pela EPE (empresa de pesquisas energéticas), ligada ao Min. Minas e Energia, está clara a opção de exploração do potencial hidrelétrico das bacias do norte. Responderá por quase 68% do aumento da oferta. Podemos substituir essa oferta por meios alternativos? A resposta é não. Não possuímos tecnologia, quem a tem vende cara demais e nem gostaríamos de ter um monte de termoelétricas movidas a petróleo ou usinas nucleares, né? Aliás, com o pré-sal aí seria até barato gerar energia queimando esse ouro-negro. Os ambientalistas que demonizam Dilma por isso talvez estejam se iludindo que se Marina tivesse ganho ia parar as obras de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio. Já imaginaram governar um país com base em preceitos ecológicos mas com apagões? Só uma revolução ecológica convenceria a população de que menos é mais, mas se não me engano o discurso ambientalista parte de setores bem acomodados no capitalismo atual, ninguém quer romper com o capitalismo. O que precisa ficar claro é que o desenvolvimento do tipo “business as usual” tem um custo ambiental alto, não importa qual partido o pratique e com quais intenções. Até uma criança sabe que um país que cresce demográfica e economicamente precisa de mais energia. Como resolver essa equação socioecológica e econômica?

O fato é que vamos ter que manejar e monitorar quase todos os ecossistemas para garantir que eles continuem prestando o serviço ambiental que nos é fundamental e salvaguardar a vida de milhões de espécies, é o melhor que nos resta como opção dentro do modelo vigente e pensando/planejando nosso desenvolvimento de forma mais sustentável para os próximos 100 anos. Caso queiram falar em revolução socioecológica aí vamos para outro fórum. Aqui nossa responsabilidade é exigir essa concepção de manejo e garantia de integridade de serviços ambientais pois a pureza ecológica é um sonho Rousseauniano representado pelo bom selvagem e não passa disso, um sonho. Aprender a manejar a natureza é o nosso trunfo geopolítico como nação, até agora desprezado por todos os partidos, inclusive pelas esquerdas que insistem em tratar pautas ambientais como burguesas. Considerando que a opulência de uma economia capitalista-industrial é maléfica à natureza pelos excessos, a pobreza é tanto quanto, e peca por falta.

A literatura científica está repleta de exemplos dos dois lados. Estamos numa espécie de beco sem saída econômico-ecológico. Quanto mais crescimento econômico, mais pegada ecológica (ou seja, impacto). No entanto a pobreza humana não é desejável e a única maneira que conhecemos até agora de reduzir a pobreza é via emprego, que gera renda e consequentemente, consumo. O único caso conhecido no mundo que vive de maneira sustentável é Cuba, cujos índices de desenvolvimento humano são altos mas com um baixo consumo, este resultado do bloqueio econômico que restringe o consumo de praticamente tudo por lá e não porque os cubanos estão mais preocupados com o planeta que outros. Além disso, os países que conseguiram performances mais no sentido de reduzir a pegada ecológica são aqueles com IDH e renda alta, cujos problemas sociais já estão aliviados a ponto de se fazer escolhas sustentáveis. Exigir do Brasil, um país que apenas esta conseguindo aliviar a pobreza, faça escolhas desse tipo é ingenuidade.

O que isso tudo tem a ver com as hidrelétricas? Bom, garantir energia para o Brasil é fundamental para se continuar a reduzir a pobreza. Dentre todas as escolhas possíveis e factíveis do Brasil, construir hidrelétricas na Amazônia é a mais viável economicamente e a que melhor possibilita o cumprimento de metas tanto sociais quanto ambientais. Qualquer outro meio teria uma relação custo-benefício (incluindo ecológico) alta demais.

Minha cobrança para Dilma e o PT é que entendam que o compromisso de fazer a expansão da oferta elétrica com responsabilidade socioambiental é mais que um discurso, é como mencionei ontem a manutenção da nossa liderança geopolítica na questão ambiental. Desenvolver o país com essa responsabilidade é a nossa possível maior contribuição para o futuro do planeta. Isso não vai ser conseguido com pobreza mas tampouco será sem capital natural. Por toda a história do PT, que inclusive gerou uma Marina Silva e um Chico Mendes, considero que ainda é o partido com maior possiblidades de avançar nessa agenda. Por isso, #Dilma13 e #AecioNever.

Lietaratura para consultar:

WWF Reporte Planeta Vivo 2014 http://wwf.panda.org/about_our_earth/all_publications/living_planet_report/

TEEB – The Economic of Ecosystem and Biodiversity http://www.teebweb.org/

#brasil #conservação #monitoramento #política

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